terça-feira, 20 de abril de 2010

2012...A noite continua....

Uma das duas garotas já se encontrava no colo de Andrew, e a outra era acariciada por sua mão, singelo, carinhoso e dono de uma boa lábia. Opel se passava como um convidado da noite, endinheirado, por isso muitas das garotas o via com outros olhos, interesseiras, boas garotas para se passar apenas uma noite e nada mais. Apenas Trouxas, não sujaria o sangue de sua família, mas tudo não passava de diversão? Mesmo assim...

Acompanhado de duas mulheres lindas, Andrew não tirava os olhos de uma terceira. E não era apenas isso desde que ela tinha lhe perguntado qual era a sua vontade, não conseguia pensar em outra coisa, tentava disfarçar, mas era em vão. Os olhos azulados do loiro acompanhavam cada movimento dela. Já que era para ser assim, a última noite, a noite sem proibições.

Dispensou as duas garotas, disse que não estava no clima, realmente - não estava com elas- sua mente e desejo estava em outra garota, a que se encontrava no balcão, pedindo uma bebida naquele instante. Vestido preto, cabelo preso em um longo rabo de cavalo, olhos esmeralda altamente desafiadores e provocantes. Andrew brincava com o gelo de seu copo, desviando seu olhar do copo para ela. Deixou o copo de lado e começou seu destino.

Opel foi interrompido por uma garota que pulava em seu pescoço, olhou nervoso para ela, tirando os braços grudentos que lhe envolvia, o bafo de onça era ainda pior, se desvencilhou da garota como se fosse lixo, como era. Olhou para trás vendo dois rapazes cuidando da garota, aquela não teria uma boa noite, mas isso não era problema dele, “quem mandou não saber beber”.

Andrew se aproximou de Agnes, naquele instante ela esperava pela sua bebida, brincando com o resto de uma bebida colorida que ainda tinha em seu copo. Ela parecia estar longe, nesta viagem que Andrew tentaria embarcar. Com sorriso encantador, a voz suave e aveludada se aproximava do ouvido de Agnes, as mãos do rapaz percorriam seus braços, terminando nas mãos dela, onde entrelaçavam os dedos e ele dizia em seu ouvido:

Hoje podemos tudo, logo será o fim. Então por que não fazer o que tem vontade! − Disse em um sussurro, beijando lentamente a orelha da prima. De esguelha os olhos verdes encararam os azuis do alemão, em um segundo antes de entornar seu Hi-fi de uma vez ela dizia.

−Antes que um de nós dois deixe o medo falar mais alto não é verdade? Primeiro o cavalheiro, depois a dama te encontra do lado da saída de emergência próxima ao Dj. – com o rosto ao lado de Agnes escutou perfeitamente o que ela disse, procurou o Dj com os olhos vendo exatamente a porta.

Andrew afirmava, e antes de responder qualquer coisa deixava com que a barba roçasse no pescoço dela − Não me decepcione Agnes... − Disse ao se retirar, não sem antes apertar lentamente o braço dela.

Sem olhar para trás Andrew caminhava lentamente, não deixando de notar rostos conhecidos como os dos irmãos de Agnes cada qual xavecando uma garota diferente e não deixaram de acenar para o primo, mesmo sem jeito, como se estivesse fazendo alguma coisa errada Andrew respondeu com um sorriso de boa sorte a eles, mas na verdade era um sorriso sem graça como se tivesse sido pego no flagra. Chegou à porta procurou por Agnes, mas não via, percorreu o caminho que fez, nada. Ninguém não notava nenhuma pessoa se esquivando na multidão. O medo tinha falado mais alto. Foi o que pensava recostado à porta, olhando para dentro do salão, chegou a ser confundido com o traficante local. Estava ficando impaciente, braços cruzados, olhar inquieto, preocupado e deixando o gosto amargo da derrota invadir a sua boca quando...Sentiu um toque no seu braço se seu corpo ser empurrado para fora dali, a ajudou abrir a porta corta chamas, e juntos caminharam para um beco escuro, onde apenas um gato assistia os dois se aproximar dos latões de lixo e desaparecer dali para outro canto da cidade.

De um beco escuro e sujo, Agnes e Andrew foram parar no apartamento dela, em seu quarto. Tudo perfeitamente arrumado e decorado, ali se via muito da personalidade da prima. O requinte e o bom gosto e mais tudo que o dinheiro pode pagar de melhor. Andrew conhecia aquela cobertura, aquele quarto, mas não da maneira que estava prestes a conhecer.

Andrew deixou que ela o levasse para onde queria, estava de frente com ela, a envolvia pela cintura e, ela mantinha as mãos em seu peito, como se naquele instante quisesse impedir algo. Mas Andrew não deixou que isso acontecesse, segurou as mãos da garota beijando-as e colocando em torno do seu pescoço, trazendo o corpo da alemã para mais próximo do seu, a excitação do momento era evidente. Ele se abaixava para beijá-la, em um beijo abrasador, umas das mãos do rapaz descia em torno das curvas de Agnes, e a outra, encontrava-se no rosto dela. Com calma a conduzia para a cama, onde deitava e trazia o corpo da alemã em cima do seu. As mãos que antes tocavam a cintura dela, agora estava em suas pernas, a camisa do alemão se encontrava entreaberta, e o zíper do vestido de Agnes começando a ser aberto...

O dia amanhecia, e Andrew encontrava-se dormindo como uma criança na cama de Agnes haviam dormido juntos, mas quando acordou, fugindo da tradição, quem não estava no quarto era ela, quando ele acordou. Será que isso seria um segredo dos dois?

sábado, 17 de abril de 2010

De volta para o futuro parte II


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Todos nós temos um segredo. Aquela história que não queremos contar a ninguém ou, até mesmo, um sentimento vergonhoso que queremos esconder até de nós mesmos. A menina-mulher que se olhava no espelho do banheiro da casa noturna possuía vários segredos escondidos embaixo do seu tapete de urso polar. Ela se apoiava na bancada de granito negro encarando o reflexo dos seus olhos verdes de ágata refletido no espelho oval. A cuba por onde escorria a água da torneira aberta era de vidro vermelho, contrastando diretamente com as pastilhas vítreas decorativas da parede em azul piscina. O cabelo estava todo preso em um imenso rabo que descia pelas suas costas.

Admirava a si mesma alisando o vestido negro e curto, possuía um decote generoso nas costas e era completado por poucas jóias e uma bota de salto altíssimo que subia até a metade da sua coxa.

Ás vezes a porta do banheiro se abria cedendo passagem a uma turma animada – trouxas – em sua maioria. Enfeitiçados não só pela essência da magia que corria no sangue de sua família, mas também por todo aquele glamour e requinte que preenchia os espaços vazios do novo investimento do seu primo. Nesses instantes era possível ouvir o som da música eletrônica que explodia nas caixas de som espalhadas pelo enorme salão negro com pé direito triplo, no alto, dançarinas cobertas apenas com faixas de um tecido diáfano exibiam uma coreografia perigosa penduradas no imenso lustre de cristal negro cercado por réplicas transparentes em todo o teto, adornado por cetim tensionado que formava pregas exuberantes por toda a extensão do espaço.


Fez o caminho até a pista de dança de forma rápida apesar dos pequenos encontrões oriundos dos freqüentadores mais entusiasmados. Algumas garotas viravam a cabeça a observar a herdeira mais nova dos Hunter afinal, havia se tornado uma figura pública depois de figurar uma campanha de moda. Era para ser apenas mais um dos seus divertimentos porém a coleção foi um sucesso, graças ao novo rosto que a indústria da moda tinha acabado de lançar. Agnes fazia a sua expressão mais “blasé”ao ser reconhecida, encostou-se no bar e pediu uma taça de Prosseco extremamente gelado que sorveu imediatamente antes de se atirar no embalo de um outro rapazote que dançava intensamente na pista quadriculada.


Não era nada demais, apenas um flerte inocente, uma troca de olhares sem grandes expectativas, ao menos para ela é claro, não podia ceder aquele tipo de assédio publicamente. Os ideais da família estavam em jogo no final daquele ano, um escândalo naquela altura do campeonato seria considerado uma catástrofe, mesmo assim deixava que o estranho guiasse os seus passos até que sentiu algo estranho. Era mais que um sexto sentido, uma espécie de sentido aranha que alertava sobre a proximidade de seu primo, ao virar a cabeça e se deparar com o próprio de braços cruzados contra o peito.


Um breve momento de reflexão que a congelou por míseros segundos e depois voltou a dançar. Sabe, ela era uma bruxa. E não uma qualquer que agitava sua varinha conjurando um Ocus Pocus fajuto, a moça de olhos oblíquos conseguia dominar mentes e naquele momento decidiu que era hora de brincar. Por ela, o rapaz continuaria a dançar a noite toda, o jovem de cabelos escuros e tatuagens no braço entro no seu jogo facilmente, sem exibir qualquer sinal de resistência. Como todo Hunter que tinha consciência do peso da sua ascendência, Andrew entendeu o desafio, não sem antes se salvaguardar é claro. Isto significava dois seguranças ex aurores misturados entre a multidão que retirou o dançarino anônimo da pista com protestos abafados do rapaz vítima de um joguete iniciado por uma garota mimada.


Alguém viu? Ou foi apenas o efeito das luzes estroboscopicas que iludiam a mente dos observadores? Um flash seguido de outro, fumaça de odor açucarado e música hipnótica.


O sol já estava alto lá fora, o apartamento com aspecto antigo decorado com colunas jônicas permanecia silencioso. O chão de mármore frio não incomodava a moça que se cobria apenas com um robe de seda prata, seu cabelo com reflexos dourados brilhava com os raios solares que adentravam pelas janelas escancaradas apesar do frio típico do inverno. Flutes encontravam-se espalhadas por cima dos móveis antigos de carvalho, sobre os aparadores dúzias de rosas vermelhas estavam acomodadas sobre vasos de porcelana chinesa e no centro do quarto circular, alguém repousava alegremente protegido pelo dossel de veludo negro que cercava toda a cama.


A moça bebericava uma xícara de café trazida por uma criada devidamente hipnotizada para não se lembrar do convidado misterioso. O seu cabelo agora estava solto, emoldurando o seu sorriso misterioso. Todos possuíam segredos, alguns poderiam render apenas uma boa fofoca durante o café da manhã, outros poderiam destruir um casamento que nem foi consumado ou então, separar para sempre um clã. Qual o seu tipo de segredo?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

2012 - Baviera. Alguns dias antes da virada do ano

A inauguração da minha própria casa noturna era a carta de alforria pra todos os meus conhecidos, o problema era selecionar os convidados Vips. Meus primos receberam o convite pessoalmente, sempre cruzava com eles pelos corredores, poucos amigos, e estes fiz questão de convidá-los pessoalmente: Inglaterra, Itália, Brasil, França, Rússia, Alemanha e EUA foram os países que passei para convidá-los, como tinha alguns que não gostavam do meio bruxo de viajar enviei-lhes as passagens.

Meus amigos vieram todos se hospedaram no hotel, tudo por minha conta. Como tínhamos que nos passar como trouxas e convidados, escolhi da coleção do meu pai um carro das antigas, um daqueles V8 e fui buscar Agnes e Luicas, os tempos de Hogwarts não ficaram para trás, os outros o motorista se encarregava com a limusine.

Como eu sabia do chá de espera que Agnes certamente ia aprontar, como sempre fez, passei no hotel e peguei primeiro Luicas, até chegar na mansão com aquele grande H na frente nós conversávamos sobre os negócios e não deixávamos de mexer com algumas garotas pela rua, com um carro daqueles elas sempre olhavam e algumas até acenavam. Quando chegamos na mansão Agnes, para variar ainda não estava pronta. Deixamos o carro e fomos esperar do lado de fora.

Não sei o motivo de tanta demora, sendo que marquei as 8 com ela e já são... 9.

−Reclamando? Nem parece que hoje é dia de festa. – Minha prima tinha esse dom, surgia do além. Virando corri os olhos de cima a baixo, aprovando o visual, vestido preto curto sem mangas com o cabelo preso em um rabo de cavalo.

Tudo isso ai é pra mim essa noite. To com moral heim! − ri, afirmando com a cabeça, sorrindo daquela maneira que ela odiava. Claro ela sabia que o deboche era com ela. Já Luicas nada dizia apenas sorria cumprimentando-a.

−Nem tanta moral assim Andrew. - Ela deu um sorriso com o canto dos lábios demonstrando mais desprezo do que qualquer outro sintoma de felicidade, tudo fachada - Podemos ir?

− Pois é Andrew, tire o seu cavalinho da chuva, você sabe que a Agnes tá assim por causa de mim. - Luicas brincou, cruzando os braços e dando uma risada fraca.

− É verdade eu esqueci dessa! Sim podemos ir! – eu tinha outra resposta em mente, mas era melhor não.

Entramos no carro e descemos no nosso destino, joguei a chave para o motorista. E entramos, primeiro as damas, o segurança abriu a passagem para gente sem se incomodar com a reclamação de que estávamos furando fila. Mesmos os Vips enfrentavam uma certa fila de espera. Para minha felicidade os negócios estavam gerando galeões e dólares.

Uma loira de parar a rede de pó de flú me abordou no meio da multidão, e com todo o seu charme chamou para um drinque. Os rapazes na mesa aplaudiam enquanto eu à levava para o bar e dava um jeito de sair a francesa, disse que já a acompanharia no balcão e enquanto isso para ela colocar tudo que ela quisesse na conta de Opel, naquela noite Andrew apenas para os conhecidos.

−Já arranjou uma companheira para a noite? – Era Luicas que me abordava. Olhei para o rapaz, rindo.

A loira ali, falando com o atendente. – Apontava. Era incrível a proteção que tinha com Agnes. Da loira sentada no balcão corri os olhos para a pista de dança onde minha prima se encontrava dançando.

- Hmmm, bonitinha. - Luicas colocava a cabeça para o lado para ver a mulher. - E onde você estava indo?

− Eu? Indo tirar aquele um da companhia da Agnes. Ela vai me odiar pro resto da noite. – falou rindo já vendo a briga, os anos passam, mas certas manias não. – E cadê a sua companhia?

- Talvez eu não queira uma companhia. - encolheu os ombros. - Sei lá, mas a noite só está começando. - piscou.

Você quem sabe. Mas não venha me dizer que a noite foi uma bosta! Vamos brindar. Adianta lá no balcão que eu vou levar a Agnes para lá! – Arqueou as sobrancelhas.

Agnes parecia animada e curtindo a dança e a companhia, a musica rolava solta, assim como a mão do rapaz que fazia companhia para ela. Sim sou ciumento, e da minha prima ninguém se aproveita assim, apenas eu e os casos sérios, vulgos namoros dela. Cruzei os braços à frente dela apenas assistindo a dança. No estilo namorado que pegou alguma coisa no flagra. No primeiro instante pareceu funcionar com ela, pois tinha parado, mas levando como desafio a minha atitude, voltou a dançar com o rapaz que fez de conta que eu não estava ali. Meus olhos percorreram os olhos dela, aceitando o desafio.

Cutuquei o ombro do rapaz pedindo pra dançar com ela, mas ele fingiu que não escutou, claro, Agnes o hipnotizava. Me coloquei a frente dela, a centímetros de sentir todo seu corpo colado ao meu, eram dois para uma. Ai que fiz o sinal para ele nos deixar. O rapaz não gostou da minha atitude, tenho certeza que nem Agnes, mas tentou iniciar uma briga.

Acho melhor não! – E apontei dois seguranças atrás dele − A não ser que queria que a festa acabe mais cedo para você, caso contrario, afogue as magoas no bar que ela é muito para você!

-Parou gente! Pode deixar que eu me viro com essa fera. - A alemã apontou para o primo e acenou para o rapaz que ficou sem entender nada enquanto seguia o loiro até o bar. - Hey hoje a noite é de festa, o último grito de liberdade e você azedo desse jeito? Nem parece o Opel que eu conheço.

− Esse cara estava se aproveitando de você apenas, acha que eu posso ficar tranquilo. Vendo a minha amada priminha – falou de maneira dramática rindo – Sendo vitima nas garras de qualquer um? − se juntavam a Luicas no bar.

- Hoje podemos tudo... - Suspirou profundamente. - ... Logo vai ser o fim. Então porque não fazer o que tem vontade? Não fazer o que você tem vontade? - Enfatizou bem o "você" apontando o copo de bebida para o primo.

− Tá ai! É para fazer o que tem vontade então!? − Olhei no fundo dos olhos da alemã. Depois não digam que não avisei.

-Divirta-se Andrew, você merece. - Levantou o copo e deu um gole generoso na bebida, outros dois copos encontravam o dela no ar, e o escutavam o tintilar antes de beber.

Deixei o copo sobre o balcão, dei um selinho em Agnes, bati nas costas de Luicas e os deixei. A loira que tinha me convidado para um drink conversava com uma amiga, e como quem não quer nada, cheguei pedindo bebidas para nós três. A noite era uma criança crescida e cheia de fetiches.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Baviera, 31 de dezembro de 2012. Versão Luicas

Minha idéia ideal de ano novo? Passar com minha mãe, na minha casa que eu não visitava a tanto tempo ou então, no máximo, com Agnes em sua casa na Alemanha, já que ela merecia passar com sua família. Até preferia passar o feriado no país da garota, depois da morte do meu pai, a Alemanha virou minha segunda casa praticamente, muitas vezes me fazendo esquecer da minha casa em New Quay.


Agnes e eu estávamos ficando cada vez mais próximos, mais ligados, mas eu não fazia questão de passar cada segundo ao seu lado, era até enjoativo demais, todos precisam de um tempo para a cabeça relaxar.

Mas parecia que esse tempo tinha acabado, precisávamos nos encontrar no casamento. Por que foi marcado tão em cima da hora? Não sabia, mas em apenas alguns minutos, eu e minha mãe estávamos arrumando nossas malas para partir no primeiro vôo para a Alemanha.


Estava com tanta saudade da Alemanha e das coisas que existem no país – alemãs, se é que me entende. Não queria deixar que minha mãe notasse minha empolgação no vôo que durou apenas algumas horas, mas na maioria eu dormi, exceto pelos vinte minutos que passei comendo o jantar, um sanduíche mal feito e um copo minúsculo de refrigerante, seguido de uma barrinha microscópica de chocolate que as aeromoças tinham a cara de pau de dizer que era a sobremesa.


O avião pousou quando já estava noite e caminhamos em direção ao aeroporto para pegarmos nossas malas na esteira rolante. Sempre tenho o azar das minhas malas serem sempre as últimas a serem colocadas na esteira e conseqüentemente, sempre sou o ultimo a pegar minhas malas e sair para a entrada do aeroporto.

Passei com muito esforço pela multidão de gente que abraçava familiares que não viam a muito tempo, namorados que ansiavam a volta da sua cara metade e aproveitavam pra se comer no meio do aeroporto. Só quando passei pelas portas automáticas do aeroporto que me lembrei que esqueci da minha mãe e tive que voltar para a multidão e gritar por ela.


Achei-a saindo do banheiro e corri até ela, falando que ela tinha sumido de repente e tinha me deixado preocupado.


- Mas eu te avisei que ia ao banheiro, filho.


Era bem capaz dela ter me avisado sim, mas com o barulho que estava ali, provavelmente não escutei as palavras da minha mãe. Saímos juntos para a rua, ambos com suas malas, e não demoramos muito para encontrar Agnes encostada em um carro preto não muito longe de onde nós estávamos.

Mamãe e eu caminhamos calmamente até onde a alemã estava, quando os olhos verdes dela olharam para nós, larguei minha mala onde estava e dei alguns passos longos e rápidos até chegar perto da garota, dando-lhe um abraço de quebrar os ossos dela, ainda mais que ela era magrinha.


- Que saudades!


Beijei a sua testa logo depois e voltei para pegar minha mala caída no chão. Coloquei minha mala e da minha mãe no porta-mala do carro de Agnes e entrei no carro, no assento da frente, enquanto minha mãe ia atrás. O rádio estava ligada numa estação de música russa, era bizarro como as músicas russas podiam ser... Bizarras.

Desliguei o rádio imediatamente e observei Agnes dando a partida no carro.


-Preferiram observar as nuvens ao invés de usar a rede de flú? - Perguntou tentando parecer calma, mas existia tensão em sua voz.


- Droga – bati minha mão na testa com força. – Esqueci da existência da rede de flu! Podíamos ter até aparatado no meio do casamento, seria uma entrada triunfal.


-Ninguém pode ofuscar a noiva. - forçou um sorriso amarelo. - Aliás os arredores do clube estão protegidos por feitiços antiaparataçao por medidas de segurança.


- Você adora ser estraga prazeres sempre, ou só faz isso de vez enquanto pra descontrair?


-Adoro ser estraga prazeres, ainda mais quando se trata desse "assunto". – me encarou pelo retrovisor, e quando Agnes encara alguém, não é boa coisa.


Parei de falar imediatamente e fiquei observando a paisagem pela janela pensando em algo mais inteligente para falar e quebrar o silencio no carro. Torcia para que, com meu comentário, Agnes não me encarasse novamente.


- Então, sua amiga francesa vai no casamento?


-Desiré? Com certeza. Ela não perderia isso por nada, além do mais, pelo que fiquei sabendo, ela anda querendo provar novas emoções.


Apenas sorri, o assunto acabou por aí. Não demorou muito pra chegarmos no Resort onde os convidados do casamento iriam ficar hospedados e Agnes nos levou para a recepção junto com nossas malas, algumas palavras em alemão dirigidas para o atendente e já estávamos com nossa chave prontos para ir ao nosso quarto. Agnes se despediu de nós para ir se arrumar.


Subimos as escadas e nossas malas nos seguiram flutuando com o uso de magia. O corredor era gigante e tinha várias portas em toda sua extensão. Cheio de quadros – alguns bruxos que falavam, outros eram somente quadros trouxas normais – pelas paredes e alguns vasos de plantas em pontos estratégicos.

As maçanetas e as plaquinhas com os números de cada quarto eram douradas, provavelmente feitas de ouro para completar o luxo do Resort. A chave na minha mão possuía uma pequena gravação com o número do meu quarto. Demorou um pouco para acharmos a porta certa, afinal, eram tantas que ficava difícil procurar uma em especial


Abrimos a porta com a chave e deixamos a porta bater na parede atrás da porta, por causa do espanto com o tamanho do quarto, ampliado magicamente talvez, e sua decoração e moveis... Majestosos, não tenho nem palavras para descrever como era o quarto, a cama era macia, o chão era macio, enfim, tudo dava uma idéia de total conforto e relaxamento.


Deitei na cama para experimenta-la – típica coisa de pobre, vou te dizer – e acabei pegando no sono, acordando apenas com a minha mãe me chamando para me arrumar para o casamento que seria daqui a pouco. Dormi tanto que nem aproveitei as variadas opções de divertimento que o Resort oferecia, mas tudo tem um lado bom, estava com minhas energias carregadas para aproveitar o casamento, a festa e quem sabe algum pós-festa?

Peguei uma das toalhas felpudas que estavam em cima de uma cadeira daquelas que pareciam ser antigas e ter muita história naquela madeira. As toalhas eram dobradas perfeitamente e formavam um cisne ou um ganso, pra mim é a mesma coisa, só sei que deu pena de desfazer a arte feita, mas era preciso para meu banho sair.


Entrei debaixo no chuveiro e liguei-o, sentindo instantaneamente a água gelada encostar na minha pele, mas apenas durou alguns instantes e logo a água se encontrava perfeitamente em um equilíbrio de quente e fria. O banho foi demorado a ponto de quando eu sair dele, minha mãe já estava toda arrumada me esperando sentada na cama, a sorte dela é que eu me arrumava em poucos minutos.


Peguei meu – sim, eu podia chamar de meu porque, com o dinheiro que eu consegui trabalhando, comprei o meu próprio – smoking da mala e o vesti rapidamente, com pena de mamãe que me esperava pacientemente. Procurei meu perfume por ali e o achei em cima de uma prateleira, a mesma onde a TV estava, e borrifei no meu pescoço e nos meus pulsos.


Sentei na cama para amarrar meus sapatos e sorri para mamãe.


- Pronto. Vamos então?


Mamãe assentiu e saímos pela porta, trancando-a e levando a chave conosco, no meu bolso, mais especificamente.


- Oh droga, esqueci minha varinha. Melhor voltar para pegar, nunca se sabe quando é que vamos usa-la. – sorri. – Te encontro lá embaixo, mãe.


Voltei ao meu quarto e coloquei a chave na fechadura para abrir a porta. Deixei-a encostada e sai a procura da minha varinha pelo quarto, revirando tudo que é mala e minhas roupas usadas. Não achava nem rezando pra Merlin, ótimo, agora ia me atrasar para o casamento! Achei minha varinha alguns, mais ou menos cinco, minutos depois no lugar mais improvável que ela estaria, em cima do abajur.


Fui ao encontro de mamãe na parte debaixo do Resort e saímos para a parte exterior do local onde uma carruagem verde e dourada com alguns sinos estava pronta para nós dois. Só entramos no transporte e ela começou a se movimentar em direção ao salão de bailes. Pareceu ser rápido e logo estávamos dentro do salão, onde nos dividimos e cada um foi para um canto, acho que ouvi minha mãe comentar que ia cumprimentar os pais de Agnes e a ultima coisa que eu vi foi seu vestido roxo colado no corpo e seu penteado em coque, dando as costas para mim.


Fui procurar Agnes, alguma coisa eu tinha que fazer ali, não ia ficar parado com cara de bobo. Percorri o salão todo e não achei nem sinal da alemã, apenas da francesa hot, a tal da Desiré, saindo de uma porta na lateral do salão. A parei e observei seus olhos azuis/verdes por alguns instantes e logo meus olhos baixaram para os seus dotes... E que dotes.


- Ahn, Desiré né? A Agnes está ai atrás dessa porta?


- Isso, Desiré! A Agnes não está aqui não... – sorriu e mostrou seus dentes branquinhos. Ah, eu pegava... – Desculpa a pergunta, mas você é?


- O Luicas, a Agnes já deve ter falado de mim pra você.


- Ah sim, falou sim... Ahn, tenho que ir Luicas, te vejo mais tarde?


Balancei a cabeça bobamente e ouvi uma pequena risada por parte da garota. Esse “te vejo mais tarde” me fez pensar MUITO no que ela quis dizer com isso.


- Desculpe interromper seu pensamento, mas se eu fosse você ia para a fila de entrada do casamento... Parece que já está pra começar.


Sorri para ele e a segui até um local onde várias pessoas estavam posicionadas prontas para entrar e dar inicio à cerimônia. Assumi meu local ao lado de Andrew e o olhei dando um sorrisinho, se ele tinha visto eu não sabia, mas fiz minha parte sendo legal com o garoto. Olhei para a frente e vi Fritz, um irmão do Agnes – mais um da ninhada de coelho dos Hunter – olhando para mim e para Andrew, fingi não perceber que ele olhava para mim, quase que aceno para ele.


Só nesses momentos que a gente para e observa cara a cara do salão, percorri os olhos um por um e observei alguns conhecidos, outros nem tanto e quando podia, acenava para alguns amigos.


A fila começava a andar, a música começou a tocar, e “Here comes the bride”.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Baviera, 31 de dezembro de 2012

Véspera de Ano Novo, 2012.

Isto se tornou parte da rotina para as classes mais baixas,obter um diminuto vislumbre da aristocracia local nas ruas de suas cidades, caminhando para um café da manhã no Sherry’s depois de uma festa épica, ou talvez caminhando com sacolas de compras pela Rue La Paix em Paris, um local para encontros democráticos. Mas aqui no campo é diferente. Aqui o rico não precisa sofrer ao ser espiado por milhares de pares de olhos. Aqui nas colinas cobertas de neve, qualquer que seja o assunto, o motivo, ou qualquer ato de violência retribuído na cidade, nada pode tocá-los. Eles e somente eles, eram convidados a entrar.

Nos últimos dias frios do ano de 2012 , o “beau monde”* deixou as grandes capitais discretamente em grupos reduzidos, de acordo com as orientações dos seus anfitriões. Na véspera do Ano Novo o último grupo chegou a um trem especial no Tuxedo Park , desembarcando na estação exclusiva dentro do clube particular. Eles receberam diversos trens durante toda a tarde: um trazia orquídeas, outro caviar e jogos, outro caixas com Champanhe Ruinart. E agora chegavam: Schermerhorns e Schuylers, Vanderbilts e Joneses, Lengrubers e Pendragons. Eles eram recebidos por carruagens recém pintadas com as cores verde e dourado, decorado com sinos comemorativos da Tiffay & Co.; e levados através da neve recém caída para o salão de baile onde acontecerá o casamento.

Aqueles que possuem residências propositalmente rústicas ali – um daqueles chalés de madeira, cobertos por musgo ou líquen – vieram para arejá-los. As damas que trouxeram suas jóias de família, tiaras de diamantes para o cabelo e luvas de seda. Agora, tão perto do ano novo, com uma abençoada, mas inesperada festa no horizonte o clima parecia melhorar novamente. Uma ou duas das mulheres comentavam com discrição enquanto uma delas borrifava perfume atrás da orelha, que a noiva usaria o mesmo vestido da mãe durante a cerimônia. Um toque de humildade durante os procedimentos. Mas por outro lado, era uma doce tradição e não era desculpa para a falta de modismo entre os convidados.

Assim que estavam arrumadas, eram acompanhadas até o salão de baile recentemente reformado. Elas eram servidas com ponche quente temperado em copos de cristal e comentando como o salão estava transformado.

No centro, o famoso piso de taco decorativo era delimitado por pétalas de rosa branca. O arco da noiva era decorado com crisântemos e lírios do vale dominando o centro da sala. Assim que os convidados começaram a encher o espaço, eles sussurravam sobre os requintados detalhes preparados para atender as pessoas do mais alto calibre que esperava atender, mesmo que a noticia tenha chegado de repente e os convites entregues apenas alguns dias antes e em mãos. Lá estava Miss Astor, por trás do seu véu negro, um disfarce para sua saúde fraca, que a afastou da temporada e deu inicio a muitos rumores de que estava prestes a abdicar do trono de rainha da sociedade bruxa Européia. Ela descansou nos braços de Harry Lehr, aquele solteiro cobiçado tão freqüentemente falado sobre seu charme e sobre a forma como conduzia os bailes de debutantes e divulgando os bons modos.

Ali estava Otto Hunter fazendo sua vez na primeira fileira. A jovem senhora Hunter assoprando beijos e ajeitando seus cachos loiros e sua tiara de rubi. Frank Cuttings, cujo único filho, Edward “Teddy” Cuttings, era conhecido por ser o melhor amigo do primogênito dos Hunter , embora desde a segunda metade de dezembro tenham sido vistos juntos apenas algumas raras vezes. Cornelius Neily Vanderbilt III e sua esposa, nascida Grace Wilson uma debutante conhecida por ser muito “rápida” e quase fez com que seu marido fosse deserdado. Ela possuía uma aparência régia agora, com seu laço de tecido e os cabelos castanhos aloirados em um coque alto com elaborados cachos, tão Vanderbilt quanto qualquer um deles. Mas após todos os bem nascidos tomarem os seus lugares, foram notadas importantes ausências. Entre aqueles quase cem convidados – uma lista distante, mas seletiva do que as quatrocentas pessoas que caberiam confortavelmente no salão do Ms Astor – havia uma importante família que não estava representada.

Aquela omissão era muito estranha e encobertos pela música suave que anunciava a eminência do inicio da cerimônia, um ou dois convidados murmuravam sobre a ausência. Nesse meio tempo o vento assobiava ao redor do clube. Os cristais de gelo pendurados nos beirais dos telhados brilhavam. Os últimos convidados chegavam apressados para tomar seus lugares, então um grupo de padrinhos vestidos com fraques negros se levantaram – sendo substituídos rapidamente por outros rapazes com casacas bordadas com o nome do resort .
Logo duas fileiras formada por quatro rapazes cada,todos vestiam fraque com um cravo branco na lapela. Wagner e Fritz Hunter faziam parte da procissão cerimonial e eram os primeiros a puxar a fila. Fritz era o mais nervoso, não conseguia esconder sua expressão de contrariedade ao lançar um olhar furioso para trás na direção dos dois últimos rapazes: Andrew e Luicas. O filho do meio da família Hunter apertou a cigarrilha entre os dedos e depois jogou a bituca para o alto e pisou com força encarando o irmão mais velho: -Tem certeza que não há um jeito mais fácil de resolvermos isso? Precisava desse circo todo?

Wagner alisou para trás os cabelos dourados e sorriu com escárnio diante da indignação do outro. - Não havia outro jeito, assim todo mundo sai ganhando a um preço muito baixo. Amanhã ou depois outra socialite resolve fazer uma festa maior e todo mundo vai esquecer o ocorrido. Simples assim. - Finalizou estalando os dedos no momento em que a música suave terminou e trombetas douradas deram início a cerimônia. Uma bruxa atarefada fiscalizou os jovens com o seu olhar acostumado a pescar os mínimos detalhes fora do lugar.Trombetas deram início a cerimônia, a grande porta de madeira com frisos de ouro de abriu e os cavalheiros adentraram ao grande salão do clube particular, na primeira fila de assentos próxima ao altar especialmente montado para a ocasião - na verdade uma mesa de jacarandá estilo Luís XV coberta por uma toalha branca rendada com pontos delicados, Helga Hunter acompanhada do marido, ajeitava os cachos loiros ornados com uma tiara de rubi enquanto era fuzilada pelos olhos da cunhada
devidamente acomodada na outra fileira de cadeira Tiffany&Co. em tom madeira. Helga Hunter née Helga Shemelyer parecia satisfeita com todos os preparativos e nada no mundo, nem a fúria do orgulho ferido de sua agora rival eram capazes de ofuscar o momento de redenção da sua família.

Os rapazes desfilaram pelo corredor delimitado por colunas de vidro de mais ou menos noventa centímetros de altura, em cada uma delas, dezenas de pixies coloridas evoluíam com suas asas multicoloridas. As portas foram fechadas novamente e o ar tornou-se tangível diante de tamanha expectativa até que o barulho da pesada madeira se abrindo seguida por clarins com bandeirolas bordadas com a letra H em verde esmeralda anunciaram a entrada da noiva.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Eu tinha tudo sobre controle, é quer dizer quase tudo, apenas não conseguia fazer com que meu corpo correspondesse da maneira que queria, eu sabia o porque, mas não conseguia dizer a ninguém. Parecia que as minhas forças tinham se esvaído.

Os médicos me colocaram em um tipo de quarentena, mas o que eles não sabiam era que eu precisava de ar, literalmente. Meus pais nunca saberiam o que acontecia, mesmo porque mesmo querendo dizer eu não podia, estava em um estado vegetativo. E para sair, eu só precisava colocar os pés na água, como eu sabia disso, sei o que me acompanha!

Já que sabia que dali não sairia tão cedo, decidi tentar juntar forças à dizer alguma coisa com sentido para que me tirassem dali. Escutei os médicos dizerem em um desses dias que eu chamei por alguém. Era sina! Karma, ou algo assim até em sonho sou perseguido por elas? Até parece que não gosto!

Se uma delas aparecesse poderia ser a minha chance de pedir para me levar para água... Mas tinha que esperar se o meu pedido inconsciente seria atendido. Sim, seria! Minha mãe em uma manhã me disse que Agnes estava vindo.

A noite tinha caído, eu estava dormindo, quando senti algo deitar-se na cama, médicos ou enfermeiras não poderia ser, existia a possibilidade de ser a minha mãe em um ato desesperado, mas a dona Scarlett não faria isso. Mas ao sentir o perfume próximo à mim sabia exatamente quem era.

Com a respiração mais ofegante, tentei surrar alguma coisa, mas não sabia se ela escutaria. Era a melhor chance de tentar dizer alguma coisa, eu não tinha força, e o pouco que tinha sentia gastando naquele momento...

− Agnes, me leva pro mar, por... –foi o que consegui dizer fraco e lentamente em meio a uma respiração ofegante que logo voltava a ficar tranquila, aquilo foi muito estranho até para mim...

Ao sentir a água em meus pés, já pude sentir o calor voltar à meu rosto. A primeira coisa que fiz, foi... Olhar para minha prima com aquele sorriso que ela conhecia e dizer...

Eu sei que você me ama!me aproximei para o que poderia ser alguma reação em cadeia do que disse, mas não temi, mantive aquele ar brincalhão que tinha sumido à dias. Ela poderia facilmente mandar eu me afogar, sabe aquele jeito irresistível que ela me manda fazer as coisas, que é impossível negar, mas mesmo assim continuava a aproximação perigosa – Obrigado! − Depois disso não tive o que mais fazer a não ser acariciar lentamente o seu rosto e deixar que nossas testas se encontrassem. Era tão bom sentir o perfume dela, sua pele tão macia, sentir que ela se arrepiava com a água fria do mar.

De nada Andrew, não é querendo, mas já acabando com esse clima − Ela se afastava − Faz tempo que você não vê uma escova de dentes e um chuveiro não?!

Acho que sim! Disse despreocupado, baforando na minha mão É realmente a coisa tá feia! − espanei o ar – Puta m****, to morto e não me enterraram! − Abaixei o braço, cara, o cheiro tava nojento! Que tipo de médicos eram aqueles? Nem banho de gato!? Você vai me esperar lá dentro ou vai ficar por ai?Eu tinha que saber!

−Esperar lá dentro, não acha que vou ficar a noite toda aqui fora? − tinha certeza que ela estava mal humorada – Sempre tem esses bichinhos que saem a noite, credo.

−Fica na sala eu não vou demorar, muito! continuei o meu caminho até o banheiro do segundo andar −O que você está esperando, aquele bicho ali dar o bote?Falei rindo e continuei o caminho para casa, apontando para nada do meu lado e entrando pela porta de vido da “pequena casa”.

Eu estava de volta! Depois que sai do chuveiro escutei as passadas enérgicas e os gritos frenéticos da minha mãe com a Agnes e um pequeno detalhe, minha mãe em estado de nervos não deixa ninguém responder as suas perguntas! Quando escutaram e me viram, não quiseram acreditar.

Senti os meus ossos se quebrando nos abraços do meu pai e na sequencia o da minha mãe, mas o que eu queria era dar um abraço, agora sim limpo e cheiroso na minha prima, tinha que agradecer a ela de alguma maneira, pelo que fizera.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Here we go again...

A notícia que Andrew encontrava-se muito doente se alastrou pela família Hunter com mais velocidade que um rastilho de pólvora em véspera de Ano Novo. Agnes escutava as novidades com certa apreensão atrás da porta que dava acesso ao escritório do seu pai. Wagner Hunter conversava com seu irmão através da lareira que queimava em chamas verde-esmeralda, era uma doença mágica muito rara, alguns até suspeitavam de uma maldição porém, não existia qualquer indício para comprovar essa teoria. A alemã elucubrava várias possibilidades, mas nenhuma era satisfatória em sua opinião, precisava dar um jeito, um modo para visitar o primo sem levantar maiores questionamentos. Esperou até a hora do jantar e pediu de forma cândida, como uma parente extremada e zelosa que recebesse autorização para visitar Opel. Sua mãe concordou de imediato, seu pai foi um pouco mais cauteloso com medo de ser algo contagioso e perigoso, fez a garota prometer que tomaria todas as providências recomendadas pelos medibruxos especialmente convidados para cuidar do rapazote.

Agnes balançou a cabeça posivitivamente, seus cachos castanhos dançaram discretamente diante da aprovação. Fez o possível para guardar apenas para si sua satisfação e após o término da refeição arrastou um elfo doméstico até o seu quarto para preparar as malas, como era exagerada, precisou de mais ou menos cinco malas com todos os seus objetos ditos "pessoais", dezenas de sapatos, sandálias, vestidos, biquinis, chapéus e etc... Não sabia porque carregava tanta coisa mas, sentia que era necessário, não gostava de estar despreparada por qualquer motivo. Bagagem arrumada, roupa trocada, Agnes partiu com a ajuda de uma chave de portal para o Taiti.

Era muito cedo, na verdade madrugada quando tocou os pés na areia branca e fina que se estendia em frente a propriedade dos Opel-Hunter.Os criados aguardavam por ela na porta de entrada para levar suas coisas até o quarto de hóspedes, o restante da casa encontrava-se mergulhado em silêncio, com poucas luzes e quase movimentação. As ordens eram bem claras, subir para descansar e no outro dia visitar o primo, sem muito contato ou afetação, Andrew não podia se cansar, muito menos passar por fortes emoções mas, Agnes podia mais do que aqueles medibruxos incompetentes então, aproveitou-se da falha na vigilancia e aproximou-se sorrateiramente da porta.

Ali mesmo do umbral, consegui divisar os cabelos loiros de Andrew, sua pele estava levemente pálida roubando seu ar sarcástico e brincalhão. Agnes levou a mão a boca, numa tentativa de segurar alguma exclamação que entalou na garganta ou simplesmente demonstrava sua perplexidade.Não controlou seus passos, adiantou-se aqueles poucos metros até a cabeceiro do primo que repousava e afastou as cortinas do dossel delicamente. Tirou os chinelos rasteiros que calçava e deitou-se devagar na cama, usava uma espécie de bata branca quase transparente com motivos étnicos bordados na manca e na gola em V. Na parte de baixo um shorts jeans curto e os cabelos encontravam-se soltos de forma displicente bem ao estilo de praia.

Puxou o lençol sobre o seu corpo delicado e abraçou Andrew, se havia alguém no mundo que era capaz de cuidar dele, era somente Agnes e disso ela não abria mão, ao menos por enquanto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Inesperado...

Naquela manhã Andrew não tinha se levantado disposto, estava mais cansado do que de costume, até o ar que inflava seus pulmões parecia ter preguiça de enchê-los. A dobra da sua cama não estava do tamanho adequado, logo teve que arrumar e pagar vinte flexões para seu superior, que dormia em baixo de sua cama. Ao terminar as flexões respirou ainda mais cansado. Mas ao menos iria tomar café agora.

Sua refeição não foi nada mais além de uma mordida no pão e um gole de leite, um dos rapazes de sua mesa estava brigando com outro, logo todos pagavam. Em outra época, não aquela, Andrew continuaria a comer, mas estava ficando mais disciplinado, claro, sempre tinha um dos superiores gritando em seu ouvido, dando-lhe ordens. Que eram obedecidas.

Foi no treinamento pela manhã que Andrew pediu dispensa por não estar se sentindo bem, mas foi negada. Estava na cara do alemão seu estado, pálido, olhos tristes e com grandes olheiras, boca sem cor e o sorriso, a tempos não aprecia.

Primeiro obstáculo, tinha de subir uma escada feita de pano, subiu rapidamente, mas ao descer sentiu o mundo girar, mas não poderia parar ali, tinha de continuar. Pulou os troncos, passou por baixo de outros, ao se levantar do ultimo apoiou-se, retomando o ar, mas ninguém ligou, era comum muitos fazerem isso. A escada de ferro, foi ao chegar no ultimo dos canos que tinha de subir, Andrew caiu, já desacordado, mas ninguém tinha visto isso, acharam que foi o tombo que fez o garoto desmaiar.

Ele foi para a enfermaria do acampamento, onde a enfermeira fez todos os exames possíveis, mas não encontrou o motivo do desmaio. Não era a única coisa que estava preocupando o corpo médico militar, a respiração dele assim como seus batimentos cardíacos eram demasiados lentos, mais que o comum. Por isso os pais do garoto foram chamados.

Scarlet chorava, Leonard tentava entender o que os médicos tentavam dizer. Mas não entendia. Ninguem entendia. Andrew aparentemente estava em coma. Como a família Hunter é influente conseguiram que a estadia do garoto fosse em casa, mas sempre com um médico aos pés do garoto.

O fim da segunda semana de férias findara, e Andrew estava sem seu quarto, com um médico à seus pés, literalmente. Na primeira noite em casa, parecia que o garoto melhoraria, durante o sono de todos ele resmungava dois nomes, que apenas o médico escutou, pois a enfermeira dormia, mas mesmo assim não entendeu o segundo. Em um pedaço de papel anotou o nome. Agnes. Mas na manhã seguinte, tudo estava da mesma maneira.

A própria Scarllet enviou a sobrinha um pedido para que ela viesse à mansão. Sem muito o que dizer, nessa altura a garota já deveria saber o que estava acontecendo, ou não, Agnes poderia estar na casa de um dos amigos e nem imaginar o que estava acontecendo dentro da própria família.

Se ele conseguisse falar à alguém o que estava acontecendo, facilmente diria. Tudo tinha uma ligação. Uma ligação que ele jurava não ter culpa, mas pareciam que estavam provando ao contrario, e das maldições ele sofreria...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Baviera, 11 de fevereiro de 2010



Infelizmente não consegui tirar a foto que você pediu. Por incrível que pareça nem sou tão má assim, quer dizer, não com todo mundo. Não preciso dizer que sua mania de entrar em confusões o mandaram para esse acampamento muito parecido com o Stalag 14 (um campo de concentração), depois não reclame que não o avisei. Bom, as coisas aqui também não estão muito fáceis, Wagner fica me vigiando o tempo todo agora, ás vezes me surpreende no escritório ou simplesmente quando vou me sentar no jardim.

Sei lá, as vezes acho que ele quer me pegar no flagra ou então conseguir interceptar alguma correspondência escandalosa mas, felizmente estou conseguindo me segurar. Pedi ao meu pai que cedesse um espaço pra mim na casa sem ser o meu quarto, então ganhei uma espécie de escritório onde eu posso receber minhas visitas ou então escrever cartas sem ser incomodada.

Ainda não acredito que você foi embora, as vezes eu sinto falta de ter alguém com quem brigar, aqui em casa é tudo tão frio e pesar de achar que Hogwarts é o lugar mais brega e irritante de todos os tempos, lá pelo menos existem alguns atrativos e lugares onde podemos ficar sozinhos sem sentir alguém queimando nossa nuca apenas com o olhar. Quanto a ficarmos separados por anos eu simplesmente não quero acreditar nessa bobagem, somos família Andrew, eles não conseguirão nos separar por muito tempo.

Quanto aquilo que aconteceu quando você foi embora bem, eu não esqueci. Agora eu tenho que ir, Wagner anda rondando o escritório mesmo com todos os feitiços antiespionagem que o elfo doméstico lançou por aqui;

Sua Agnes,

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uma carta para Agnes

Agnes…

Veja bem para quem eu to mandando uma carta! Não poderia esquecer a minha priminha nesse tempo que passarei longe. Uma questão de alguns anos, mas...

Faz um favor quando terminar de ler esta carta, tira uma foto e me manda, quero ver a sua cara rindo de mim. Nem acredito, levantei mesmo a bandeira branca? É sei lá parece que sim...

Uma semana e meia que eu to aqui, e tenho certeza que você não me conhece mais.

Logo no primeiro dia aqui nesse inferno, me desentendi com o garoto que dorme na beliche de baixo da minha, eu sei que sou folgado, mas cheguei primeiro, digamos que chegou a ter uma meia briga, mas não passou disso, pois um dos velhos, que nos vigia colocou a mão em meu ombro, fazendo com que eu parasse. Mas a cama de cima continua sendo minha.

Antes eu soubesse com quem estava me metendo. Sabe esse infeliz? Pois bem era o tenente, pois é. Esse infeliz é quem nos passa os treinos e cobra quando está errado alguma coisa, eleva o nível de dificuldade e assim vai. Preciso dizer que ele desconta tudo em mim?

Desde passar por debaixo do arame farpado, para os outros tudo bem, para mim ele pisa em cima deixando mais baixo. Resultado: troquei várias vezes o uniforme, e to sendo advertido, por não conservar o uniforme. Isso é apenas uma das coisas. A outra é que alguns dias não to dormindo, e quando eu durmo é demais, sou acordado com baldes de água gelada, e depois tenho que dormir com o colchão molhado e limpar tudo.

Tem mais eu to usando uniforme. E perfeitamente. Sem mais comentários sobre isso. Ponto!

Mas o pior de tudo isso aqui não é esse sofrimento ai não. É estar longe, pois é...

Beijos Prima.

Saudades, espero noticias de como está sendo as suas férias.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

... e tudo fica para trás

Entrei naquele carro negro que buzinava, tive que deixá-la para trás. O motorista se encontrava em pé ao lado da porta, esperando que eu entrasse. Antes de sentar no banco de couro daquele carro quis olhar para trás, mas achei melhor não. Minha sorte eram os vidros são tão escuros quanto o carro, não deixava que os que estavam fora visse o que acontecia dentro. O carro partiu, e eu cansado daquele jogo de anonimato lembrava...

Lembrava daquele beijo de despedida que havia roubado dela. Agnes. Eu tinha envolvido-a em meus braços recostando-me no batente da porta, trazendo o corpo de Agnes para o encontro do meu, naquele momento ela era minha. O beijo era envolvente, e nos envolvia, cada vez mais, estava ficando quente a cada segundo, já não tinha mais o controle de minhas mãos que desciam em torno de sua cintura, muito menos das minhas ações. O beijo já começava a descer pelo corpo dela, pescoço, ombro... O toque dela em meu pescoço me ouriçava. Mas tudo foi quebrado quando o som da buzina do carro soou.

Aquele som irritante quebrava totalmente o clima, era sinal que estava ficando atrasado, mas quem liga? Tive que me afastar de Agnes, acariciei o seu rosto antes de me distanciar. Eu tinha o olhar triste, chegava até a embaçar, mas achei melhor ir ao carro logo. E assim fiz.

Bufei quando, novamente, o motorista abria a porta, dizendo que já tínhamos chegado, não tinha certeza se desceria. Mas desci, e levei o meu malão até a fila de alunos que se formava. Meu inferno estava prestes a começar...

Talvez o início do fim


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O que foi aquilo no Natal? Nem ela sabia dizer ao certo. Falar o que sentimos não é algo muito recomendável, no final sempre fazemos papel de idiotas e era assim que estava se sentindo quando correu em direção a lareira e sumiu entre as chamas verde esmeralda. O pior foi correr para a casa de Luicas e esquecer-se do fuso horário, felizmente todos ainda estavam dormindo e não viram sua chegada dramática, somente o lufano foi até o seu encontro, a acolhendo de forma carinhosa sem fazer muitas perguntas sobre o que aconteceu na praia.

De que adiantava ser sincera se todas as coisas poderiam se voltar contra você? O regresso depois do recesso de Natal foi estranho e desconfortável. Passou a evitr Andrew mais do que o usual, tratando o primo como um mero objeto de decoração. Logo a ultima prova do torneio foi realizada e mais um ano letivo se acabou e viram as despedidas habituais, festas de formatura e outros protocolos.

O assassinato na estação de Kings Cross espalhou o medo entre os pais dos alunos, por isso Agnes e Andrew eram escoltados por seguranças bruxos e permaneciam untos a todo o momento sem pronunciar uma palavra sequer até a chegada ao chalé Hunter, para a magia não ser rastreada usaram um carro trouxa desde o aeroporto.Agnes usava um vestido florido justo ao corpo mas, sem maiores ousadias, para matar o tempo mascava um chicle de tutti frutti enquanto cantarolava uma música de Faery Sweet, de tempos em tempos enchia e estourava uma bola gigante de goma de mascar sem olhar para o lado.

No fundo sua indiferença disfarçava a ferida em seu orgulho, por isso olhava a paisagem formada pela floresta de abetos que ladeava a estrada que a levava até a residência. O carro parou em frente ao muro baixo de pedra que sustentava a caixa de correios nunca utilizada saiu do caro baixando os óculos escuros que usava, não precisava se preocupar em carregar suas malas, os empregados fariam isso por ela.

Cumprimentaria seus pais assim que estes chegassem, já que, as cortinas cerradas naquela hora do dia, significava que os proprietários estavam longe, na verdade um costume não muito usual porém, prático, se trancaria no quarto e brigaria com Andrew até a volta as aulas, mas aquele ano seria diferente, seu primo lhe dava uma noticia bombástica, passaria as férias num tipo de acampamento militar, mas não importava fazendo o que ou onde e depois seguiria para qualquer outra escola e o pior, longe dela. Só porque na praia ela havia dito o quanto odiava a idéia de não saber o que o seu primo estava fazendo, era sempre assim, Opel fazia sempre o contrário. Quando pedia para ele se afastar, ele se aproximava e quando afirmava que o queria por perto, ele simplesmente a deixava plantada na porta de casa, literalmente.

De certa forma seria melhor assim, ninguém sairia magoado, logo aquela febre da adolescência passaria e tudo voltaria ao normal, mas não foi bem assim. Apenas a menção da palavra “natal” e toda aquela agitação voltava a fervilhar dentro dela de forma insana. Dessa vez não calculou o resultado dos seus atos, muitos menos as conseqüências desastrosas que poderiam surgir depois deles. Os lábios se encontraram, era impressionante como juntavam com perfeição, peças de um mesmo quebra cabeça tão óbvio que qualquer criança poderia montar, mas aqueles dois viviam bagunçando o tabuleiro como se o caos os mantivesse mais unidos do que sempre.

Estavam na frente da casa dos pais de Agnes, a qualquer momento alguém poderia chegar, isso sem contar com o motorista dentro do carro escuro, a alemã não se importou com nada. Como se não houvesse amanhã entregou-se aquele beijo que poderia muito bem ser o último, a história havia chegado ao final, dificilmente seus pais deixariam que passassem mais algum tempo sozinhos, ainda mais depois daquela carta e com as desconfianças de Wagner rondando os primos a todo instante.

Enterrava os dedos em seus cabelos e sentia as mãos do rapaz acariciar sua cintura, seus ombros, suas costas desta vez não sairia correndo assustada procurando um porto seguro. Era algo diferente, parecia um entorpecente extremamente viciante, sabia que poderia se destruir, mas queria mais e mais. As coisas poderiam ser diferentes. Ela acreditava nisso, mas qual dos dois seria o primeiro a admitir que se separar depois daquele ano em Hogwarts era difícil? Sentia que havia avançado uma casa naquele jogo, mas agora tudo desmoronava apesar do seu tímido esforço. O som incômodo da buzina ouriçou até os pássaros aninhados nos altos das árvores que fizeram uma revoada em protesto, voaram pra longe e tudo se acabou. Quando o carro dobrou a curva e desapareceu entre o caminho arborizado, ela realmente acreditou que a história havia chegado ao fim.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O início...


Um dia qualquer na Alemanha, mas não qualquer dia para dois alunos de Hogwarts. Agnes e Andrew. Era o dia que os dois voltavam da escola Inglesa para as férias de verão.

Andrew não foi para sua casa, acompanhou sua prima que seguia à frente, conversando com ele, mas ao chegar na porta da mansão o rapaz não deixou que os empregados da casa levassem sua bagagem para o quarto de hospedes, que a essa altura era quase seu.

− Agnes? Antes de subir tem um minuto? Ele fez um rosto pidão com um leve sorriso, não beirava o sorriso malicioso que ela contemplou, e muito, durante o ano, estava mais para um sorriso sem graça, amarelo.

−Claro. - Respondeu com tranquilidade na voz, mas o seu rosto não escondia a curiosidade, ele a conhecia bem...

− Lembra o que pediu durante todo esse ano? Bem, se realizou. Não me verá mais – Falou tentando manter o ar de brincadeira – Os seus desejos se realizaram...

Assim como Andrew ao ler a carta, Agnes ficou perplexa.

- Como assim? Para com isso Andrew, tudo o que eu te disse não significou nada, não é mesmo? Eu sabia! A única coisa que você sabe fazer é brincar com o sentimento das pessoas, agora para de mentir e faz de conta que aquilo nunca aconteceu.

− Veja... –entregou um envelope com o brasão da família Hunter, aberto. Logo se reconhecia a letra, de Scarlet, a mãe do rapaz.

Andrew, meu filho querido...

Seu pai e eu não gostamos nada, das novas de Hogwarts. Anda querendo impressionar a sua prima, cometendo os mesmos erros do Taiti. A chance que nós demos à você, deixou escapar entre os seus dedos...

Agora não adianta reclamar pela poção derramada.

Passará essas férias no acampamento de verão da escola que seu pai e eu, o matriculou. Divirta-se, no acampamento militar, que de lá sairá apenas quando terminar os estudos.

A carta não tinha assinatura, demonstrava o quão brava estavam seus pais e o quão decepcionados. Dessa vez ele tinha passado dos limites.

-Me impressionar? - Ergueu uma sobrancelha. - Me humilhar ela quis dizer... - Correu novamente os olhos sobre as linhas da carta e a devolveu para o primo. -Dessa vez foi você que ganhou o que queria Andrew, se tivesse ficado quieto, sem fazer bobagens... Agora não adianta chorar pela poção derramada. - Socou uma parede, aquilo parecia ter doido.

− Não adianta, mas – ele ergueu a sobrancelha, abraçando-a – Eu ganhei o que pedi. Eu tenho umas coisas planejadas, mas eu preciso primeiro ir para esse acampamento falou com desdém, mas não separou do abraço – não quer passar as suas férias de verão, lá também não?

-Não. - Disse categórica, - Prefiro ficar por aqui, talvez seja melhor assim...

− Como você é cruel comigo Agnes! – ele riu – Talvez seja melhor assim –imitou E agora − a Segurou pelo braço – Não tem como você escapar como no natal. Quero um beijo de despedida.

Não era bem um pedido, Andrew em um beijo roubado, correspondido. Ele deixou aquele receio de lado, não esperou a resposta, já que ele queria aquilo e aguentou um bom tempo, e de alguma forma tinha certeza que ela também queria a mesma coisa. Mas depois da despedida o rapaz entrou em um carro que o esperava.