sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Here we go again...
Agnes balançou a cabeça posivitivamente, seus cachos castanhos dançaram discretamente diante da aprovação. Fez o possível para guardar apenas para si sua satisfação e após o término da refeição arrastou um elfo doméstico até o seu quarto para preparar as malas, como era exagerada, precisou de mais ou menos cinco malas com todos os seus objetos ditos "pessoais", dezenas de sapatos, sandálias, vestidos, biquinis, chapéus e etc... Não sabia porque carregava tanta coisa mas, sentia que era necessário, não gostava de estar despreparada por qualquer motivo. Bagagem arrumada, roupa trocada, Agnes partiu com a ajuda de uma chave de portal para o Taiti.
Era muito cedo, na verdade madrugada quando tocou os pés na areia branca e fina que se estendia em frente a propriedade dos Opel-Hunter.Os criados aguardavam por ela na porta de entrada para levar suas coisas até o quarto de hóspedes, o restante da casa encontrava-se mergulhado em silêncio, com poucas luzes e quase movimentação. As ordens eram bem claras, subir para descansar e no outro dia visitar o primo, sem muito contato ou afetação, Andrew não podia se cansar, muito menos passar por fortes emoções mas, Agnes podia mais do que aqueles medibruxos incompetentes então, aproveitou-se da falha na vigilancia e aproximou-se sorrateiramente da porta.
Ali mesmo do umbral, consegui divisar os cabelos loiros de Andrew, sua pele estava levemente pálida roubando seu ar sarcástico e brincalhão. Agnes levou a mão a boca, numa tentativa de segurar alguma exclamação que entalou na garganta ou simplesmente demonstrava sua perplexidade.Não controlou seus passos, adiantou-se aqueles poucos metros até a cabeceiro do primo que repousava e afastou as cortinas do dossel delicamente. Tirou os chinelos rasteiros que calçava e deitou-se devagar na cama, usava uma espécie de bata branca quase transparente com motivos étnicos bordados na manca e na gola em V. Na parte de baixo um shorts jeans curto e os cabelos encontravam-se soltos de forma displicente bem ao estilo de praia.
Puxou o lençol sobre o seu corpo delicado e abraçou Andrew, se havia alguém no mundo que era capaz de cuidar dele, era somente Agnes e disso ela não abria mão, ao menos por enquanto.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Inesperado...
Naquela manhã Andrew não tinha se levantado disposto, estava mais cansado do que de costume, até o ar que inflava seus pulmões parecia ter preguiça de enchê-los. A dobra da sua cama não estava do tamanho adequado, logo teve que arrumar e pagar vinte flexões para seu superior, que dormia em baixo de sua cama. Ao terminar as flexões respirou ainda mais cansado. Mas ao menos iria tomar café agora.
Sua refeição não foi nada mais além de uma mordida no pão e um gole de leite, um dos rapazes de sua mesa estava brigando com outro, logo todos pagavam. Em outra época, não aquela, Andrew continuaria a comer, mas estava ficando mais disciplinado, claro, sempre tinha um dos superiores gritando em seu ouvido, dando-lhe ordens. Que eram obedecidas.
Foi no treinamento pela manhã que Andrew pediu dispensa por não estar se sentindo bem, mas foi negada. Estava na cara do alemão seu estado, pálido, olhos tristes e com grandes olheiras, boca sem cor e o sorriso, a tempos não aprecia.
Primeiro obstáculo, tinha de subir uma escada feita de pano, subiu rapidamente, mas ao descer sentiu o mundo girar, mas não poderia parar ali, tinha de continuar. Pulou os troncos, passou por baixo de outros, ao se levantar do ultimo apoiou-se, retomando o ar, mas ninguém ligou, era comum muitos fazerem isso. A escada de ferro, foi ao chegar no ultimo dos canos que tinha de subir, Andrew caiu, já desacordado, mas ninguém tinha visto isso, acharam que foi o tombo que fez o garoto desmaiar.
Ele foi para a enfermaria do acampamento, onde a enfermeira fez todos os exames possíveis, mas não encontrou o motivo do desmaio. Não era a única coisa que estava preocupando o corpo médico militar, a respiração dele assim como seus batimentos cardíacos eram demasiados lentos, mais que o comum. Por isso os pais do garoto foram chamados.
Scarlet chorava, Leonard tentava entender o que os médicos tentavam dizer. Mas não entendia. Ninguem entendia. Andrew aparentemente estava em coma. Como a família Hunter é influente conseguiram que a estadia do garoto fosse em casa, mas sempre com um médico aos pés do garoto.
O fim da segunda semana de férias findara, e Andrew estava sem seu quarto, com um médico à seus pés, literalmente. Na primeira noite em casa, parecia que o garoto melhoraria, durante o sono de todos ele resmungava dois nomes, que apenas o médico escutou, pois a enfermeira dormia, mas mesmo assim não entendeu o segundo. Em um pedaço de papel anotou o nome. Agnes. Mas na manhã seguinte, tudo estava da mesma maneira.
A própria Scarllet enviou a sobrinha um pedido para que ela viesse à mansão. Sem muito o que dizer, nessa altura a garota já deveria saber o que estava acontecendo, ou não, Agnes poderia estar na casa de um dos amigos e nem imaginar o que estava acontecendo dentro da própria família.
Se ele conseguisse falar à alguém o que estava acontecendo, facilmente diria. Tudo tinha uma ligação. Uma ligação que ele jurava não ter culpa, mas pareciam que estavam provando ao contrario, e das maldições ele sofreria...
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Infelizmente não consegui tirar a foto que você pediu. Por incrível que pareça nem sou tão má assim, quer dizer, não com todo mundo. Não preciso dizer que sua mania de entrar em confusões o mandaram para esse acampamento muito parecido com o Stalag 14 (um campo de concentração), depois não reclame que não o avisei. Bom, as coisas aqui também não estão muito fáceis, Wagner fica me vigiando o tempo todo agora, ás vezes me surpreende no escritório ou simplesmente quando vou me sentar no jardim.
Sei lá, as vezes acho que ele quer me pegar no flagra ou então conseguir interceptar alguma correspondência escandalosa mas, felizmente estou conseguindo me segurar. Pedi ao meu pai que cedesse um espaço pra mim na casa sem ser o meu quarto, então ganhei uma espécie de escritório onde eu posso receber minhas visitas ou então escrever cartas sem ser incomodada.
Ainda não acredito que você foi embora, as vezes eu sinto falta de ter alguém com quem brigar, aqui em casa é tudo tão frio e pesar de achar que Hogwarts é o lugar mais brega e irritante de todos os tempos, lá pelo menos existem alguns atrativos e lugares onde podemos ficar sozinhos sem sentir alguém queimando nossa nuca apenas com o olhar. Quanto a ficarmos separados por anos eu simplesmente não quero acreditar nessa bobagem, somos família Andrew, eles não conseguirão nos separar por muito tempo.
Quanto aquilo que aconteceu quando você foi embora bem, eu não esqueci. Agora eu tenho que ir, Wagner anda rondando o escritório mesmo com todos os feitiços antiespionagem que o elfo doméstico lançou por aqui;
Sua Agnes,
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Uma carta para Agnes
Agnes…
Veja bem para quem eu to mandando uma carta! Não poderia esquecer a minha priminha nesse tempo que passarei longe. Uma questão de alguns anos, mas...
Faz um favor quando terminar de ler esta carta, tira uma foto e me manda, quero ver a sua cara rindo de mim. Nem acredito, levantei mesmo a bandeira branca? É sei lá parece que sim...
Uma semana e meia que eu to aqui, e tenho certeza que você não me conhece mais.
Logo no primeiro dia aqui nesse inferno, me desentendi com o garoto que dorme na beliche de baixo da minha, eu sei que sou folgado, mas cheguei primeiro, digamos que chegou a ter uma meia briga, mas não passou disso, pois um dos velhos, que nos vigia colocou a mão em meu ombro, fazendo com que eu parasse. Mas a cama de cima continua sendo minha.
Antes eu soubesse com quem estava me metendo. Sabe esse infeliz? Pois bem era o tenente, pois é. Esse infeliz é quem nos passa os treinos e cobra quando está errado alguma coisa, eleva o nível de dificuldade e assim vai. Preciso dizer que ele desconta tudo em mim?
Desde passar por debaixo do arame farpado, para os outros tudo bem, para mim ele pisa em cima deixando mais baixo. Resultado: troquei várias vezes o uniforme, e to sendo advertido, por não conservar o uniforme. Isso é apenas uma das coisas. A outra é que alguns dias não to dormindo, e quando eu durmo é demais, sou acordado com baldes de água gelada, e depois tenho que dormir com o colchão molhado e limpar tudo.
Tem mais eu to usando uniforme. E perfeitamente. Sem mais comentários sobre isso. Ponto!
Mas o pior de tudo isso aqui não é esse sofrimento ai não. É estar longe, pois é...
Beijos Prima.
Saudades, espero noticias de como está sendo as suas férias.