quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

... e tudo fica para trás

Entrei naquele carro negro que buzinava, tive que deixá-la para trás. O motorista se encontrava em pé ao lado da porta, esperando que eu entrasse. Antes de sentar no banco de couro daquele carro quis olhar para trás, mas achei melhor não. Minha sorte eram os vidros são tão escuros quanto o carro, não deixava que os que estavam fora visse o que acontecia dentro. O carro partiu, e eu cansado daquele jogo de anonimato lembrava...

Lembrava daquele beijo de despedida que havia roubado dela. Agnes. Eu tinha envolvido-a em meus braços recostando-me no batente da porta, trazendo o corpo de Agnes para o encontro do meu, naquele momento ela era minha. O beijo era envolvente, e nos envolvia, cada vez mais, estava ficando quente a cada segundo, já não tinha mais o controle de minhas mãos que desciam em torno de sua cintura, muito menos das minhas ações. O beijo já começava a descer pelo corpo dela, pescoço, ombro... O toque dela em meu pescoço me ouriçava. Mas tudo foi quebrado quando o som da buzina do carro soou.

Aquele som irritante quebrava totalmente o clima, era sinal que estava ficando atrasado, mas quem liga? Tive que me afastar de Agnes, acariciei o seu rosto antes de me distanciar. Eu tinha o olhar triste, chegava até a embaçar, mas achei melhor ir ao carro logo. E assim fiz.

Bufei quando, novamente, o motorista abria a porta, dizendo que já tínhamos chegado, não tinha certeza se desceria. Mas desci, e levei o meu malão até a fila de alunos que se formava. Meu inferno estava prestes a começar...

Talvez o início do fim


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O que foi aquilo no Natal? Nem ela sabia dizer ao certo. Falar o que sentimos não é algo muito recomendável, no final sempre fazemos papel de idiotas e era assim que estava se sentindo quando correu em direção a lareira e sumiu entre as chamas verde esmeralda. O pior foi correr para a casa de Luicas e esquecer-se do fuso horário, felizmente todos ainda estavam dormindo e não viram sua chegada dramática, somente o lufano foi até o seu encontro, a acolhendo de forma carinhosa sem fazer muitas perguntas sobre o que aconteceu na praia.

De que adiantava ser sincera se todas as coisas poderiam se voltar contra você? O regresso depois do recesso de Natal foi estranho e desconfortável. Passou a evitr Andrew mais do que o usual, tratando o primo como um mero objeto de decoração. Logo a ultima prova do torneio foi realizada e mais um ano letivo se acabou e viram as despedidas habituais, festas de formatura e outros protocolos.

O assassinato na estação de Kings Cross espalhou o medo entre os pais dos alunos, por isso Agnes e Andrew eram escoltados por seguranças bruxos e permaneciam untos a todo o momento sem pronunciar uma palavra sequer até a chegada ao chalé Hunter, para a magia não ser rastreada usaram um carro trouxa desde o aeroporto.Agnes usava um vestido florido justo ao corpo mas, sem maiores ousadias, para matar o tempo mascava um chicle de tutti frutti enquanto cantarolava uma música de Faery Sweet, de tempos em tempos enchia e estourava uma bola gigante de goma de mascar sem olhar para o lado.

No fundo sua indiferença disfarçava a ferida em seu orgulho, por isso olhava a paisagem formada pela floresta de abetos que ladeava a estrada que a levava até a residência. O carro parou em frente ao muro baixo de pedra que sustentava a caixa de correios nunca utilizada saiu do caro baixando os óculos escuros que usava, não precisava se preocupar em carregar suas malas, os empregados fariam isso por ela.

Cumprimentaria seus pais assim que estes chegassem, já que, as cortinas cerradas naquela hora do dia, significava que os proprietários estavam longe, na verdade um costume não muito usual porém, prático, se trancaria no quarto e brigaria com Andrew até a volta as aulas, mas aquele ano seria diferente, seu primo lhe dava uma noticia bombástica, passaria as férias num tipo de acampamento militar, mas não importava fazendo o que ou onde e depois seguiria para qualquer outra escola e o pior, longe dela. Só porque na praia ela havia dito o quanto odiava a idéia de não saber o que o seu primo estava fazendo, era sempre assim, Opel fazia sempre o contrário. Quando pedia para ele se afastar, ele se aproximava e quando afirmava que o queria por perto, ele simplesmente a deixava plantada na porta de casa, literalmente.

De certa forma seria melhor assim, ninguém sairia magoado, logo aquela febre da adolescência passaria e tudo voltaria ao normal, mas não foi bem assim. Apenas a menção da palavra “natal” e toda aquela agitação voltava a fervilhar dentro dela de forma insana. Dessa vez não calculou o resultado dos seus atos, muitos menos as conseqüências desastrosas que poderiam surgir depois deles. Os lábios se encontraram, era impressionante como juntavam com perfeição, peças de um mesmo quebra cabeça tão óbvio que qualquer criança poderia montar, mas aqueles dois viviam bagunçando o tabuleiro como se o caos os mantivesse mais unidos do que sempre.

Estavam na frente da casa dos pais de Agnes, a qualquer momento alguém poderia chegar, isso sem contar com o motorista dentro do carro escuro, a alemã não se importou com nada. Como se não houvesse amanhã entregou-se aquele beijo que poderia muito bem ser o último, a história havia chegado ao final, dificilmente seus pais deixariam que passassem mais algum tempo sozinhos, ainda mais depois daquela carta e com as desconfianças de Wagner rondando os primos a todo instante.

Enterrava os dedos em seus cabelos e sentia as mãos do rapaz acariciar sua cintura, seus ombros, suas costas desta vez não sairia correndo assustada procurando um porto seguro. Era algo diferente, parecia um entorpecente extremamente viciante, sabia que poderia se destruir, mas queria mais e mais. As coisas poderiam ser diferentes. Ela acreditava nisso, mas qual dos dois seria o primeiro a admitir que se separar depois daquele ano em Hogwarts era difícil? Sentia que havia avançado uma casa naquele jogo, mas agora tudo desmoronava apesar do seu tímido esforço. O som incômodo da buzina ouriçou até os pássaros aninhados nos altos das árvores que fizeram uma revoada em protesto, voaram pra longe e tudo se acabou. Quando o carro dobrou a curva e desapareceu entre o caminho arborizado, ela realmente acreditou que a história havia chegado ao fim.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O início...


Um dia qualquer na Alemanha, mas não qualquer dia para dois alunos de Hogwarts. Agnes e Andrew. Era o dia que os dois voltavam da escola Inglesa para as férias de verão.

Andrew não foi para sua casa, acompanhou sua prima que seguia à frente, conversando com ele, mas ao chegar na porta da mansão o rapaz não deixou que os empregados da casa levassem sua bagagem para o quarto de hospedes, que a essa altura era quase seu.

− Agnes? Antes de subir tem um minuto? Ele fez um rosto pidão com um leve sorriso, não beirava o sorriso malicioso que ela contemplou, e muito, durante o ano, estava mais para um sorriso sem graça, amarelo.

−Claro. - Respondeu com tranquilidade na voz, mas o seu rosto não escondia a curiosidade, ele a conhecia bem...

− Lembra o que pediu durante todo esse ano? Bem, se realizou. Não me verá mais – Falou tentando manter o ar de brincadeira – Os seus desejos se realizaram...

Assim como Andrew ao ler a carta, Agnes ficou perplexa.

- Como assim? Para com isso Andrew, tudo o que eu te disse não significou nada, não é mesmo? Eu sabia! A única coisa que você sabe fazer é brincar com o sentimento das pessoas, agora para de mentir e faz de conta que aquilo nunca aconteceu.

− Veja... –entregou um envelope com o brasão da família Hunter, aberto. Logo se reconhecia a letra, de Scarlet, a mãe do rapaz.

Andrew, meu filho querido...

Seu pai e eu não gostamos nada, das novas de Hogwarts. Anda querendo impressionar a sua prima, cometendo os mesmos erros do Taiti. A chance que nós demos à você, deixou escapar entre os seus dedos...

Agora não adianta reclamar pela poção derramada.

Passará essas férias no acampamento de verão da escola que seu pai e eu, o matriculou. Divirta-se, no acampamento militar, que de lá sairá apenas quando terminar os estudos.

A carta não tinha assinatura, demonstrava o quão brava estavam seus pais e o quão decepcionados. Dessa vez ele tinha passado dos limites.

-Me impressionar? - Ergueu uma sobrancelha. - Me humilhar ela quis dizer... - Correu novamente os olhos sobre as linhas da carta e a devolveu para o primo. -Dessa vez foi você que ganhou o que queria Andrew, se tivesse ficado quieto, sem fazer bobagens... Agora não adianta chorar pela poção derramada. - Socou uma parede, aquilo parecia ter doido.

− Não adianta, mas – ele ergueu a sobrancelha, abraçando-a – Eu ganhei o que pedi. Eu tenho umas coisas planejadas, mas eu preciso primeiro ir para esse acampamento falou com desdém, mas não separou do abraço – não quer passar as suas férias de verão, lá também não?

-Não. - Disse categórica, - Prefiro ficar por aqui, talvez seja melhor assim...

− Como você é cruel comigo Agnes! – ele riu – Talvez seja melhor assim –imitou E agora − a Segurou pelo braço – Não tem como você escapar como no natal. Quero um beijo de despedida.

Não era bem um pedido, Andrew em um beijo roubado, correspondido. Ele deixou aquele receio de lado, não esperou a resposta, já que ele queria aquilo e aguentou um bom tempo, e de alguma forma tinha certeza que ela também queria a mesma coisa. Mas depois da despedida o rapaz entrou em um carro que o esperava.