Naquela manhã Andrew não tinha se levantado disposto, estava mais cansado do que de costume, até o ar que inflava seus pulmões parecia ter preguiça de enchê-los. A dobra da sua cama não estava do tamanho adequado, logo teve que arrumar e pagar vinte flexões para seu superior, que dormia em baixo de sua cama. Ao terminar as flexões respirou ainda mais cansado. Mas ao menos iria tomar café agora.
Sua refeição não foi nada mais além de uma mordida no pão e um gole de leite, um dos rapazes de sua mesa estava brigando com outro, logo todos pagavam. Em outra época, não aquela, Andrew continuaria a comer, mas estava ficando mais disciplinado, claro, sempre tinha um dos superiores gritando em seu ouvido, dando-lhe ordens. Que eram obedecidas.
Foi no treinamento pela manhã que Andrew pediu dispensa por não estar se sentindo bem, mas foi negada. Estava na cara do alemão seu estado, pálido, olhos tristes e com grandes olheiras, boca sem cor e o sorriso, a tempos não aprecia.
Primeiro obstáculo, tinha de subir uma escada feita de pano, subiu rapidamente, mas ao descer sentiu o mundo girar, mas não poderia parar ali, tinha de continuar. Pulou os troncos, passou por baixo de outros, ao se levantar do ultimo apoiou-se, retomando o ar, mas ninguém ligou, era comum muitos fazerem isso. A escada de ferro, foi ao chegar no ultimo dos canos que tinha de subir, Andrew caiu, já desacordado, mas ninguém tinha visto isso, acharam que foi o tombo que fez o garoto desmaiar.
Ele foi para a enfermaria do acampamento, onde a enfermeira fez todos os exames possíveis, mas não encontrou o motivo do desmaio. Não era a única coisa que estava preocupando o corpo médico militar, a respiração dele assim como seus batimentos cardíacos eram demasiados lentos, mais que o comum. Por isso os pais do garoto foram chamados.
Scarlet chorava, Leonard tentava entender o que os médicos tentavam dizer. Mas não entendia. Ninguem entendia. Andrew aparentemente estava em coma. Como a família Hunter é influente conseguiram que a estadia do garoto fosse em casa, mas sempre com um médico aos pés do garoto.
O fim da segunda semana de férias findara, e Andrew estava sem seu quarto, com um médico à seus pés, literalmente. Na primeira noite em casa, parecia que o garoto melhoraria, durante o sono de todos ele resmungava dois nomes, que apenas o médico escutou, pois a enfermeira dormia, mas mesmo assim não entendeu o segundo. Em um pedaço de papel anotou o nome. Agnes. Mas na manhã seguinte, tudo estava da mesma maneira.
A própria Scarllet enviou a sobrinha um pedido para que ela viesse à mansão. Sem muito o que dizer, nessa altura a garota já deveria saber o que estava acontecendo, ou não, Agnes poderia estar na casa de um dos amigos e nem imaginar o que estava acontecendo dentro da própria família.
Se ele conseguisse falar à alguém o que estava acontecendo, facilmente diria. Tudo tinha uma ligação. Uma ligação que ele jurava não ter culpa, mas pareciam que estavam provando ao contrario, e das maldições ele sofreria...
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