Minha idéia ideal de ano novo? Passar com minha mãe, na minha casa que eu não visitava a tanto tempo ou então, no máximo, com Agnes em sua casa na Alemanha, já que ela merecia passar com sua família. Até preferia passar o feriado no país da garota, depois da morte do meu pai, a Alemanha virou minha segunda casa praticamente, muitas vezes me fazendo esquecer da minha casa em New Quay.
Agnes e eu estávamos ficando cada vez mais próximos, mais ligados, mas eu não fazia questão de passar cada segundo ao seu lado, era até enjoativo demais, todos precisam de um tempo para a cabeça relaxar.
Mas parecia que esse tempo tinha acabado, precisávamos nos encontrar no casamento. Por que foi marcado tão em cima da hora? Não sabia, mas em apenas alguns minutos, eu e minha mãe estávamos arrumando nossas malas para partir no primeiro vôo para a Alemanha.
Estava com tanta saudade da Alemanha e das coisas que existem no país – alemãs, se é que me entende. Não queria deixar que minha mãe notasse minha empolgação no vôo que durou apenas algumas horas, mas na maioria eu dormi, exceto pelos vinte minutos que passei comendo o jantar, um sanduíche mal feito e um copo minúsculo de refrigerante, seguido de uma barrinha microscópica de chocolate que as aeromoças tinham a cara de pau de dizer que era a sobremesa.
O avião pousou quando já estava noite e caminhamos em direção ao aeroporto para pegarmos nossas malas na esteira rolante. Sempre tenho o azar das minhas malas serem sempre as últimas a serem colocadas na esteira e conseqüentemente, sempre sou o ultimo a pegar minhas malas e sair para a entrada do aeroporto.
Passei com muito esforço pela multidão de gente que abraçava familiares que não viam a muito tempo, namorados que ansiavam a volta da sua cara metade e aproveitavam pra se comer no meio do aeroporto. Só quando passei pelas portas automáticas do aeroporto que me lembrei que esqueci da minha mãe e tive que voltar para a multidão e gritar por ela.
Achei-a saindo do banheiro e corri até ela, falando que ela tinha sumido de repente e tinha me deixado preocupado.
- Mas eu te avisei que ia ao banheiro, filho.
Era bem capaz dela ter me avisado sim, mas com o barulho que estava ali, provavelmente não escutei as palavras da minha mãe. Saímos juntos para a rua, ambos com suas malas, e não demoramos muito para encontrar Agnes encostada em um carro preto não muito longe de onde nós estávamos.
Mamãe e eu caminhamos calmamente até onde a alemã estava, quando os olhos verdes dela olharam para nós, larguei minha mala onde estava e dei alguns passos longos e rápidos até chegar perto da garota, dando-lhe um abraço de quebrar os ossos dela, ainda mais que ela era magrinha.
- Que saudades!
Beijei a sua testa logo depois e voltei para pegar minha mala caída no chão. Coloquei minha mala e da minha mãe no porta-mala do carro de Agnes e entrei no carro, no assento da frente, enquanto minha mãe ia atrás. O rádio estava ligada numa estação de música russa, era bizarro como as músicas russas podiam ser... Bizarras.
Desliguei o rádio imediatamente e observei Agnes dando a partida no carro.
-Preferiram observar as nuvens ao invés de usar a rede de flú? - Perguntou tentando parecer calma, mas existia tensão em sua voz.
- Droga – bati minha mão na testa com força. – Esqueci da existência da rede de flu! Podíamos ter até aparatado no meio do casamento, seria uma entrada triunfal.
-Ninguém pode ofuscar a noiva. - forçou um sorriso amarelo. - Aliás os arredores do clube estão protegidos por feitiços antiaparataçao por medidas de segurança.
- Você adora ser estraga prazeres sempre, ou só faz isso de vez enquanto pra descontrair?
-Adoro ser estraga prazeres, ainda mais quando se trata desse "assunto". – me encarou pelo retrovisor, e quando Agnes encara alguém, não é boa coisa.
Parei de falar imediatamente e fiquei observando a paisagem pela janela pensando em algo mais inteligente para falar e quebrar o silencio no carro. Torcia para que, com meu comentário, Agnes não me encarasse novamente.
- Então, sua amiga francesa vai no casamento?
-Desiré? Com certeza. Ela não perderia isso por nada, além do mais, pelo que fiquei sabendo, ela anda querendo provar novas emoções.
Apenas sorri, o assunto acabou por aí. Não demorou muito pra chegarmos no Resort onde os convidados do casamento iriam ficar hospedados e Agnes nos levou para a recepção junto com nossas malas, algumas palavras em alemão dirigidas para o atendente e já estávamos com nossa chave prontos para ir ao nosso quarto. Agnes se despediu de nós para ir se arrumar.
Subimos as escadas e nossas malas nos seguiram flutuando com o uso de magia. O corredor era gigante e tinha várias portas em toda sua extensão. Cheio de quadros – alguns bruxos que falavam, outros eram somente quadros trouxas normais – pelas paredes e alguns vasos de plantas em pontos estratégicos.
As maçanetas e as plaquinhas com os números de cada quarto eram douradas, provavelmente feitas de ouro para completar o luxo do Resort. A chave na minha mão possuía uma pequena gravação com o número do meu quarto. Demorou um pouco para acharmos a porta certa, afinal, eram tantas que ficava difícil procurar uma em especial
Abrimos a porta com a chave e deixamos a porta bater na parede atrás da porta, por causa do espanto com o tamanho do quarto, ampliado magicamente talvez, e sua decoração e moveis... Majestosos, não tenho nem palavras para descrever como era o quarto, a cama era macia, o chão era macio, enfim, tudo dava uma idéia de total conforto e relaxamento.
Deitei na cama para experimenta-la – típica coisa de pobre, vou te dizer – e acabei pegando no sono, acordando apenas com a minha mãe me chamando para me arrumar para o casamento que seria daqui a pouco. Dormi tanto que nem aproveitei as variadas opções de divertimento que o Resort oferecia, mas tudo tem um lado bom, estava com minhas energias carregadas para aproveitar o casamento, a festa e quem sabe algum pós-festa?
Peguei uma das toalhas felpudas que estavam em cima de uma cadeira daquelas que pareciam ser antigas e ter muita história naquela madeira. As toalhas eram dobradas perfeitamente e formavam um cisne ou um ganso, pra mim é a mesma coisa, só sei que deu pena de desfazer a arte feita, mas era preciso para meu banho sair.
Entrei debaixo no chuveiro e liguei-o, sentindo instantaneamente a água gelada encostar na minha pele, mas apenas durou alguns instantes e logo a água se encontrava perfeitamente em um equilíbrio de quente e fria. O banho foi demorado a ponto de quando eu sair dele, minha mãe já estava toda arrumada me esperando sentada na cama, a sorte dela é que eu me arrumava em poucos minutos.
Peguei meu – sim, eu podia chamar de meu porque, com o dinheiro que eu consegui trabalhando, comprei o meu próprio – smoking da mala e o vesti rapidamente, com pena de mamãe que me esperava pacientemente. Procurei meu perfume por ali e o achei em cima de uma prateleira, a mesma onde a TV estava, e borrifei no meu pescoço e nos meus pulsos.
Sentei na cama para amarrar meus sapatos e sorri para mamãe.
- Pronto. Vamos então?
Mamãe assentiu e saímos pela porta, trancando-a e levando a chave conosco, no meu bolso, mais especificamente.
- Oh droga, esqueci minha varinha. Melhor voltar para pegar, nunca se sabe quando é que vamos usa-la. – sorri. – Te encontro lá embaixo, mãe.
Voltei ao meu quarto e coloquei a chave na fechadura para abrir a porta. Deixei-a encostada e sai a procura da minha varinha pelo quarto, revirando tudo que é mala e minhas roupas usadas. Não achava nem rezando pra Merlin, ótimo, agora ia me atrasar para o casamento! Achei minha varinha alguns, mais ou menos cinco, minutos depois no lugar mais improvável que ela estaria, em cima do abajur.
Fui ao encontro de mamãe na parte debaixo do Resort e saímos para a parte exterior do local onde uma carruagem verde e dourada com alguns sinos estava pronta para nós dois. Só entramos no transporte e ela começou a se movimentar em direção ao salão de bailes. Pareceu ser rápido e logo estávamos dentro do salão, onde nos dividimos e cada um foi para um canto, acho que ouvi minha mãe comentar que ia cumprimentar os pais de Agnes e a ultima coisa que eu vi foi seu vestido roxo colado no corpo e seu penteado em coque, dando as costas para mim.
Fui procurar Agnes, alguma coisa eu tinha que fazer ali, não ia ficar parado com cara de bobo. Percorri o salão todo e não achei nem sinal da alemã, apenas da francesa hot, a tal da Desiré, saindo de uma porta na lateral do salão. A parei e observei seus olhos azuis/verdes por alguns instantes e logo meus olhos baixaram para os seus dotes... E que dotes.
- Ahn, Desiré né? A Agnes está ai atrás dessa porta?
- Isso, Desiré! A Agnes não está aqui não... – sorriu e mostrou seus dentes branquinhos. Ah, eu pegava... – Desculpa a pergunta, mas você é?
- O Luicas, a Agnes já deve ter falado de mim pra você.
- Ah sim, falou sim... Ahn, tenho que ir Luicas, te vejo mais tarde?
Balancei a cabeça bobamente e ouvi uma pequena risada por parte da garota. Esse “te vejo mais tarde” me fez pensar MUITO no que ela quis dizer com isso.
- Desculpe interromper seu pensamento, mas se eu fosse você ia para a fila de entrada do casamento... Parece que já está pra começar.
Sorri para ele e a segui até um local onde várias pessoas estavam posicionadas prontas para entrar e dar inicio à cerimônia. Assumi meu local ao lado de Andrew e o olhei dando um sorrisinho, se ele tinha visto eu não sabia, mas fiz minha parte sendo legal com o garoto. Olhei para a frente e vi Fritz, um irmão do Agnes – mais um da ninhada de coelho dos Hunter – olhando para mim e para Andrew, fingi não perceber que ele olhava para mim, quase que aceno para ele.
Só nesses momentos que a gente para e observa cara a cara do salão, percorri os olhos um por um e observei alguns conhecidos, outros nem tanto e quando podia, acenava para alguns amigos.
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