Eu tinha tudo sobre controle, é quer dizer quase tudo, apenas não conseguia fazer com que meu corpo correspondesse da maneira que queria, eu sabia o porque, mas não conseguia dizer a ninguém. Parecia que as minhas forças tinham se esvaído.
Os médicos me colocaram em um tipo de quarentena, mas o que eles não sabiam era que eu precisava de ar, literalmente. Meus pais nunca saberiam o que acontecia, mesmo porque mesmo querendo dizer eu não podia, estava em um estado vegetativo. E para sair, eu só precisava colocar os pés na água, como eu sabia disso, sei o que me acompanha!
Já que sabia que dali não sairia tão cedo, decidi tentar juntar forças à dizer alguma coisa com sentido para que me tirassem dali. Escutei os médicos dizerem em um desses dias que eu chamei por alguém. Era sina! Karma, ou algo assim até em sonho sou perseguido por elas? Até parece que não gosto!
Se uma delas aparecesse poderia ser a minha chance de pedir para me levar para água... Mas tinha que esperar se o meu pedido inconsciente seria atendido. Sim, seria! Minha mãe em uma manhã me disse que Agnes estava vindo.
A noite tinha caído, eu estava dormindo, quando senti algo deitar-se na cama, médicos ou enfermeiras não poderia ser, existia a possibilidade de ser a minha mãe em um ato desesperado, mas a dona Scarlett não faria isso. Mas ao sentir o perfume próximo à mim sabia exatamente quem era.
Com a respiração mais ofegante, tentei surrar alguma coisa, mas não sabia se ela escutaria. Era a melhor chance de tentar dizer alguma coisa, eu não tinha força, e o pouco que tinha sentia gastando naquele momento...
− Agnes, me leva pro mar, por... –foi o que consegui dizer fraco e lentamente em meio a uma respiração ofegante que logo voltava a ficar tranquila, aquilo foi muito estranho até para mim...
Ao sentir a água em meus pés, já pude sentir o calor voltar à meu rosto. A primeira coisa que fiz, foi... Olhar para minha prima com aquele sorriso que ela conhecia e dizer...
− Eu sei que você me ama! – me aproximei para o que poderia ser alguma reação em cadeia do que disse, mas não temi, mantive aquele ar brincalhão que tinha sumido à dias. Ela poderia facilmente mandar eu me afogar, sabe aquele jeito irresistível que ela me manda fazer as coisas, que é impossível negar, mas mesmo assim continuava a aproximação perigosa – Obrigado! − Depois disso não tive o que mais fazer a não ser acariciar lentamente o seu rosto e deixar que nossas testas se encontrassem. Era tão bom sentir o perfume dela, sua pele tão macia, sentir que ela se arrepiava com a água fria do mar.
− De nada Andrew, não é querendo, mas já acabando com esse clima − Ela se afastava − Faz tempo que você não vê uma escova de dentes e um chuveiro não?!
− Acho que sim! – Disse despreocupado, baforando na minha mão – É realmente a coisa tá feia! − espanei o ar – Puta m****, to morto e não me enterraram! − Abaixei o braço, cara, o cheiro tava nojento! Que tipo de médicos eram aqueles? Nem banho de gato!? − Você vai me esperar lá dentro ou vai ficar por ai? – Eu tinha que saber!
−Esperar lá dentro, não acha que vou ficar a noite toda aqui fora? − tinha certeza que ela estava mal humorada – Sempre tem esses bichinhos que saem a noite, credo.
−Fica na sala eu não vou demorar, muito! – continuei o meu caminho até o banheiro do segundo andar −O que você está esperando, aquele bicho ali dar o bote? −Falei rindo e continuei o caminho para casa, apontando para nada do meu lado e entrando pela porta de vido da “pequena casa”.
Eu estava de volta! Depois que sai do chuveiro escutei as passadas enérgicas e os gritos frenéticos da minha mãe com a Agnes e um pequeno detalhe, minha mãe em estado de nervos não deixa ninguém responder as suas perguntas! Quando escutaram e me viram, não quiseram acreditar.
Senti os meus ossos se quebrando nos abraços do meu pai e na sequencia o da minha mãe, mas o que eu queria era dar um abraço, agora sim limpo e cheiroso na minha prima, tinha que agradecer a ela de alguma maneira, pelo que fizera.
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