A notícia que Andrew encontrava-se muito doente se alastrou pela família Hunter com mais velocidade que um rastilho de pólvora em véspera de Ano Novo. Agnes escutava as novidades com certa apreensão atrás da porta que dava acesso ao escritório do seu pai. Wagner Hunter conversava com seu irmão através da lareira que queimava em chamas verde-esmeralda, era uma doença mágica muito rara, alguns até suspeitavam de uma maldição porém, não existia qualquer indício para comprovar essa teoria. A alemã elucubrava várias possibilidades, mas nenhuma era satisfatória em sua opinião, precisava dar um jeito, um modo para visitar o primo sem levantar maiores questionamentos. Esperou até a hora do jantar e pediu de forma cândida, como uma parente extremada e zelosa que recebesse autorização para visitar Opel. Sua mãe concordou de imediato, seu pai foi um pouco mais cauteloso com medo de ser algo contagioso e perigoso, fez a garota prometer que tomaria todas as providências recomendadas pelos medibruxos especialmente convidados para cuidar do rapazote.
Agnes balançou a cabeça posivitivamente, seus cachos castanhos dançaram discretamente diante da aprovação. Fez o possível para guardar apenas para si sua satisfação e após o término da refeição arrastou um elfo doméstico até o seu quarto para preparar as malas, como era exagerada, precisou de mais ou menos cinco malas com todos os seus objetos ditos "pessoais", dezenas de sapatos, sandálias, vestidos, biquinis, chapéus e etc... Não sabia porque carregava tanta coisa mas, sentia que era necessário, não gostava de estar despreparada por qualquer motivo. Bagagem arrumada, roupa trocada, Agnes partiu com a ajuda de uma chave de portal para o Taiti.
Era muito cedo, na verdade madrugada quando tocou os pés na areia branca e fina que se estendia em frente a propriedade dos Opel-Hunter.Os criados aguardavam por ela na porta de entrada para levar suas coisas até o quarto de hóspedes, o restante da casa encontrava-se mergulhado em silêncio, com poucas luzes e quase movimentação. As ordens eram bem claras, subir para descansar e no outro dia visitar o primo, sem muito contato ou afetação, Andrew não podia se cansar, muito menos passar por fortes emoções mas, Agnes podia mais do que aqueles medibruxos incompetentes então, aproveitou-se da falha na vigilancia e aproximou-se sorrateiramente da porta.
Ali mesmo do umbral, consegui divisar os cabelos loiros de Andrew, sua pele estava levemente pálida roubando seu ar sarcástico e brincalhão. Agnes levou a mão a boca, numa tentativa de segurar alguma exclamação que entalou na garganta ou simplesmente demonstrava sua perplexidade.Não controlou seus passos, adiantou-se aqueles poucos metros até a cabeceiro do primo que repousava e afastou as cortinas do dossel delicamente. Tirou os chinelos rasteiros que calçava e deitou-se devagar na cama, usava uma espécie de bata branca quase transparente com motivos étnicos bordados na manca e na gola em V. Na parte de baixo um shorts jeans curto e os cabelos encontravam-se soltos de forma displicente bem ao estilo de praia.
Puxou o lençol sobre o seu corpo delicado e abraçou Andrew, se havia alguém no mundo que era capaz de cuidar dele, era somente Agnes e disso ela não abria mão, ao menos por enquanto.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
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