O que foi aquilo no Natal? Nem ela sabia dizer ao certo. Falar o que sentimos não é algo muito recomendável, no final sempre fazemos papel de idiotas e era assim que estava se sentindo quando correu em direção a lareira e sumiu entre as chamas verde esmeralda. O pior foi correr para a casa de Luicas e esquecer-se do fuso horário, felizmente todos ainda estavam dormindo e não viram sua chegada dramática, somente o lufano foi até o seu encontro, a acolhendo de forma carinhosa sem fazer muitas perguntas sobre o que aconteceu na praia.
De que adiantava ser sincera se todas as coisas poderiam se voltar contra você? O regresso depois do recesso de Natal foi estranho e desconfortável. Passou a evitr Andrew mais do que o usual, tratando o primo como um mero objeto de decoração. Logo a ultima prova do torneio foi realizada e mais um ano letivo se acabou e viram as despedidas habituais, festas de formatura e outros protocolos.
O assassinato na estação de Kings Cross espalhou o medo entre os pais dos alunos, por isso Agnes e Andrew eram escoltados por seguranças bruxos e permaneciam untos a todo o momento sem pronunciar uma palavra sequer até a chegada ao chalé Hunter, para a magia não ser rastreada usaram um carro trouxa desde o aeroporto.Agnes usava um vestido florido justo ao corpo mas, sem maiores ousadias, para matar o tempo mascava um chicle de tutti frutti enquanto cantarolava uma música de Faery Sweet, de tempos em tempos enchia e estourava uma bola gigante de goma de mascar sem olhar para o lado.
No fundo sua indiferença disfarçava a ferida em seu orgulho, por isso olhava a paisagem formada pela floresta de abetos que ladeava a estrada que a levava até a residência. O carro parou em frente ao muro baixo de pedra que sustentava a caixa de correios nunca utilizada saiu do caro baixando os óculos escuros que usava, não precisava se preocupar em carregar suas malas, os empregados fariam isso por ela.
Cumprimentaria seus pais assim que estes chegassem, já que, as cortinas cerradas naquela hora do dia, significava que os proprietários estavam longe, na verdade um costume não muito usual porém, prático, se trancaria no quarto e brigaria com Andrew até a volta as aulas, mas aquele ano seria diferente, seu primo lhe dava uma noticia bombástica, passaria as férias num tipo de acampamento militar, mas não importava fazendo o que ou onde e depois seguiria para qualquer outra escola e o pior, longe dela. Só porque na praia ela havia dito o quanto odiava a idéia de não saber o que o seu primo estava fazendo, era sempre assim, Opel fazia sempre o contrário. Quando pedia para ele se afastar, ele se aproximava e quando afirmava que o queria por perto, ele simplesmente a deixava plantada na porta de casa, literalmente.
De certa forma seria melhor assim, ninguém sairia magoado, logo aquela febre da adolescência passaria e tudo voltaria ao normal, mas não foi bem assim. Apenas a menção da palavra “natal” e toda aquela agitação voltava a fervilhar dentro dela de forma insana. Dessa vez não calculou o resultado dos seus atos, muitos menos as conseqüências desastrosas que poderiam surgir depois deles. Os lábios se encontraram, era impressionante como juntavam com perfeição, peças de um mesmo quebra cabeça tão óbvio que qualquer criança poderia montar, mas aqueles dois viviam bagunçando o tabuleiro como se o caos os mantivesse mais unidos do que sempre.
Estavam na frente da casa dos pais de Agnes, a qualquer momento alguém poderia chegar, isso sem contar com o motorista dentro do carro escuro, a alemã não se importou com nada. Como se não houvesse amanhã entregou-se aquele beijo que poderia muito bem ser o último, a história havia chegado ao final, dificilmente seus pais deixariam que passassem mais algum tempo sozinhos, ainda mais depois daquela carta e com as desconfianças de Wagner rondando os primos a todo instante.
Enterrava os dedos em seus cabelos e sentia as mãos do rapaz acariciar sua cintura, seus ombros, suas costas desta vez não sairia correndo assustada procurando um porto seguro. Era algo diferente, parecia um entorpecente extremamente viciante, sabia que poderia se destruir, mas queria mais e mais. As coisas poderiam ser diferentes. Ela acreditava nisso, mas qual dos dois seria o primeiro a admitir que se separar depois daquele ano em Hogwarts era difícil? Sentia que havia avançado uma casa naquele jogo, mas agora tudo desmoronava apesar do seu tímido esforço. O som incômodo da buzina ouriçou até os pássaros aninhados nos altos das árvores que fizeram uma revoada em protesto, voaram pra longe e tudo se acabou. Quando o carro dobrou a curva e desapareceu entre o caminho arborizado, ela realmente acreditou que a história havia chegado ao fim.
Acho que nem precisava comentar neh?
ResponderExcluirMas, já que to aqui...
Shoquei com esses detalhes, tsk.
Preciso mesmo falar com você, srtª Hunter. /lixa
hsoaeihoisea
besos, love u dear ;*